quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Fachada nova: Prefeitura Municipal de Tabira agora é "Palácio 31 de Março"

Nova fachada

Fachada antiga

Fachada antiga


Causou estranhamento a substituição da tradicional inscrição "Prefeitura Municipal de Tabira", na fachada desse órgão, por "Palácio 31 de Março".

E causou por algumas razões.

Não foi nem tanto pelo custo, já que os letreiros, possivelmente produzidos por Adenilson Leite, não devem ter custado mais de mil e quinhentos reais, a tirar pelo letreiro do prédio da Guarda Municipal.
O problema real é que as coisas precisam fazer sentido, até mesmo em Tabira. E o nome anterior era lógico, já que o prédio é uma prefeitura, e não um "palácio".

Mas tem mais: o nome oficial do prédio, dado pelo prefeito na época da sua construção, João Cordeiro, é Paço Municipal 31 de Março. "Paço" era um nome comum dado ao edifício que sediava o governo municipal. Usando palácio ao invés de paço, perdeu-se o sentido original.

Pra completar, a data em si é uma insignificância: o governador Agamenon Magalhães designou que o sr. Mário Melo, historiador e estudioso da língua tupi, renomeasse vilas, distritos e municípios de Pernambuco. E assim aconteceu. No dia 31 de março de 1938 um decreto oficializou de maneira autoritária a alteração dos nomes de centenas de vilas, distritos e municípios do nosso Estado.

No nosso caso, o nome de Vila de Espírito Santo, denominação possivelmente colocada pela população local, foi substituído por Tabira, nome escolhido ao léu por Mário Melo, indivíduo que possivelmente nunca tenha pisado na cidade (nesse dia, outros lugares de Pernambuco também ganharam nomes indígenas na marra por capricho desse sujeito: Cedro, Itaíba, Quixaba, Calumbi, Itacoatiara, Macapá, Tabira, Iati, Caetés etc.).

O secretário de Administração, Flávio Marques, ao tentar justificar a escolha, disse ao Radar do Sertão que o nome do prédio era uma referência à data de inauguração, o que só é mais um equívoco. O prédio mesmo só foi inaugurado na década de 1970, mais de quarenta anos após o motivo verdadeiro.

De quebra, a mudança de fachada ainda comete uma gafe involuntária ao fazer referência ao aniversário do golpe militar, praticado em 31 de março de 1964, detestável coincidência pra quem chorou tanto pelo "golpe" contra a ex-presidente Dilma, como o prefeito Sebastião Dias.

Enfim, não há motivo pra polêmica, é verdade, mas é sempre tempo de cobrar coerência nas ações de quem nos governa.